A campimetria — também conhecida como exame de campo visual, ou perimetria — costuma aparecer no acompanhamento de algumas doenças da retina e do nervo óptico. É um exame que mede algo que outros exames de olho não medem: a extensão do campo de visão da pessoa.
Vale entender o que ele mostra, em que situações é indicado, e o que esperar no dia do exame.
O que a campimetria mede
A visão não é só "enxergar bem ou mal". Cada olho tem um campo visual — uma área ao redor do ponto que estamos olhando diretamente, que também conseguimos perceber ao mesmo tempo. É o que permite, por exemplo, notar alguém se aproximando pela lateral sem virar a cabeça, ou perceber um obstáculo no chão enquanto olhamos para frente.
A campimetria mede esse campo visual. Mais especificamente, identifica:
- Áreas do campo onde a sensibilidade visual está preservada
- Áreas onde a sensibilidade está reduzida ou ausente
- Padrões dessas alterações (que costumam ser específicos de cada tipo de condição)
Não é uma medida de quanto a pessoa enxerga no centro — isso é a acuidade visual. Também não é uma imagem da estrutura da retina — isso é o OCT ou o fundo de olho. É uma medida de função em diferentes regiões do campo visual.
Por que isso importa em distrofias da retina
Em algumas distrofias hereditárias da retina, mudanças no campo visual podem aparecer antes de mudanças notáveis na acuidade central. A pessoa ainda enxerga bem no centro — lê, reconhece rostos, vê detalhes — enquanto o campo periférico já apresenta alterações funcionais.
A campimetria consegue documentar essas alterações precocemente, e acompanhar como evoluem ao longo do tempo. Comparar exames repetidos é uma das ferramentas mais sensíveis pra identificar se a condição está estável ou em mudança lenta.
Como é feito o exame
A campimetria não exige dilatação da pupila (diferente do fundo de olho ampliado ou do ERG). Boa notícia pra quem se preocupa em dirigir depois ou voltar à rotina normal logo em seguida.
A pessoa fica sentada em frente a um equipamento, com um olho coberto por uma tampa, mirando um ponto de fixação central. Durante o exame, pequenos pontos de luz aparecem em diferentes regiões do campo visual, com intensidades variadas — alguns muito fracos, outros mais intensos. A cada ponto percebido, a pessoa aperta um botão.
O equipamento mapeia onde os pontos foram percebidos e onde não foram, e em qual intensidade. Cada olho é examinado separadamente, e o exame costuma durar entre 10 e 20 minutos por olho.
Algumas pessoas relatam que o exame exige concentração — manter o olhar fixo em um ponto enquanto presta atenção a estímulos em outras regiões do campo não é uma habilidade que se usa no dia a dia. É normal precisar de um momento de adaptação no início. Resultados de campimetria também podem variar entre exames pela própria atenção e cansaço da pessoa naquele dia, o que torna a comparação ao longo do tempo mais informativa que qualquer exame isolado.
Como entender o resultado (em linhas gerais)
O laudo da campimetria costuma vir com um mapa gráfico mostrando a sensibilidade do campo visual em diferentes regiões. Áreas mais claras representam sensibilidade preservada; áreas mais escuras, sensibilidade reduzida ou ausente.
Existem padrões característicos para diferentes condições. Sem entrar em detalhes técnicos, o oftalmologista que solicitou o exame interpreta o resultado em conjunto com o restante do quadro clínico — exame de fundo de olho, OCT, história, sintomas relatados.
Vale ter em mente: o laudo isolado raramente conta a história toda. Em distrofias hereditárias da retina, comparar a campimetria com exames anteriores diz muito mais sobre o ritmo individual da condição do que um exame isolado pode dizer.
O que costumo dizer no consultório
Se você vai fazer campimetria, vale chegar bem descansado e prestar atenção na primeira instrução do técnico que vai conduzir o exame — boa parte do resultado depende da sua concentração e da sua capacidade de manter o olhar fixo no ponto central. Não é uma falha pessoal se sentir cansaço durante; é parte normal do exame.
E como em outros exames: caso tenha campimetrias anteriores, traga os laudos e gráficos. Caso a caso, a comparação em série diz muito mais sobre como a condição está se comportando do que qualquer exame único.