Dra. Rebeca

Glossário em movimento

O que é o eletrorretinograma (ERG) — e quando ele entra na investigação

Eletrorretinograma é um exame menos conhecido que o OCT, mas com função clínica específica e importante na investigação de distrofias hereditárias da retina.

Ilustração editorial mostrando silhueta humana de perfil em preto profundo, sem rosto, em interação contemplativa com equipamento oftalmológico representado em line art dourado sketchy. Fundo em pinceladas amplas roxo profundo (topo) e creme aquecido (parte inferior), com feixe sutil de luz. Estilo digital painterly editorial, mood sereno.

Eletrorretinograma — ou ERG, como costuma aparecer abreviado nos pedidos médicos — é um exame menos conhecido que o OCT ou o fundo de olho, mas com função clínica específica e importante. Especialmente em distrofias hereditárias da retina, ele costuma fazer parte da investigação em algum momento.

Vale entender o que ele mede, em que situação é indicado, e o que esperar no dia do exame.

O que o ERG mede

A retina não é só uma superfície que recebe luz. Ela é também um conjunto de células que respondem eletricamente à luz que chega. Cada estímulo luminoso que entra no olho gera uma resposta elétrica nas células da retina — e essa resposta pode ser medida.

É exatamente isso que o eletrorretinograma faz: registra a atividade elétrica da retina em resposta a estímulos luminosos controlados. Não é uma imagem (como o OCT) nem uma medida de quanto a pessoa enxerga (como a acuidade visual). É uma medida de função — quão bem as células da retina estão respondendo ao seu trabalho básico de captar luz e transformar em sinal.

Por que isso importa em distrofias hereditárias da retina

Algumas condições afetam células da retina antes de a pessoa notar mudança visual perceptível. O sistema visual tem certa margem de compensação, e alterações sutis na função celular podem existir muito antes de se traduzirem em sintomas claros.

O ERG consegue detectar essas alterações funcionais precoces, mesmo quando o exame de fundo de olho ainda parece praticamente normal e a acuidade visual está preservada.

Em termos médicos, ele ajuda a responder perguntas como:

  • A função dos cones (células responsáveis pela visão de cores e de detalhes finos) está preservada?
  • E a função dos bastonetes (células responsáveis pela visão em baixa luminosidade)?
  • Existe alteração em apenas um tipo de célula ou nos dois?

Essas respostas refinam a hipótese diagnóstica e podem direcionar o próximo passo da investigação — incluindo qual teste genético faz mais sentido pedir em cada caso.

Como é feito o exame

O eletrorretinograma é feito com os olhos dilatados (pode exigir colírio antes do exame, como no fundo de olho ampliado). A pessoa fica sentada ou deitada, com uma pequena lente apoiada sobre o olho aberto — esse contato é desconfortável mas indolor, e o equipamento fica posicionado próximo do rosto.

Em seguida, uma sequência de flashes de luz é projetada, com diferentes intensidades. Algumas etapas são feitas com o ambiente iluminado; outras, no escuro completo (em alguns protocolos, após um período de adaptação visual de 20 a 30 minutos no escuro).

O equipamento registra as respostas elétricas da retina a cada estímulo. O exame inteiro costuma durar entre 30 e 90 minutos, dependendo do protocolo escolhido pela clínica. Não é necessário jejum, e os efeitos da dilatação pupilar duram algumas horas após o exame — visão embaçada para perto e maior sensibilidade à luz são esperadas durante esse período.

Quando o ERG aparece no caminho diagnóstico

O ERG raramente é o primeiro exame solicitado. Costuma vir depois de uma avaliação inicial (acuidade visual, fundo de olho com lente, OCT) e quando há suspeita de uma condição que afete a função retiniana de forma específica.

Em distrofias hereditárias, é especialmente útil quando:

  • Há sintomas (dificuldade no escuro, sensibilidade à luz, mudança em visão de cores) sem alteração estrutural óbvia no fundo de olho
  • O quadro clínico sugere um tipo específico de distrofia em que a função de cones ou bastonetes está particularmente envolvida
  • O resultado vai ajudar a definir qual painel genético solicitar em seguida

O que costumo dizer no consultório

O ERG não é diagnóstico isolado — entra como uma peça do conjunto da investigação, junto com exame clínico, imagens estruturais e história familiar. Caso a caso, ele ajuda mais em algumas situações do que em outras.

E uma coisa que ajuda na consulta: se você já tem ERG feito anteriormente, traga o laudo e, se possível, os gráficos do exame. Comparação ao longo do tempo costuma dizer mais que um exame isolado.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada. Cada caso varia conforme o contexto individual.

Dra. Rebeca Souza Amaral

Oftalmologia, com foco em Genética Ocular e doenças raras da retina

CRM-SP 194029 · RQE 77974

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