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Equipamento / exame

Eletrorretinograma (ERG): como é feito o exame e o que ele mede

O ERG registra a atividade elétrica da retina com eletrodos e luz. Entenda como funciona o exame, quando é pedido e o que esperar no dia.

Ilustração editorial do blog da Dra. Rebeca sobre eletrorretinograma (erg): como é feito o exame e o que ele mede

Eletrorretinograma (ERG): como é feito o exame e o que ele mede

Quando alguém ouve pela primeira vez que vai fazer um "eletrorretinograma" — ou ERG —, muitas vezes vem um misto de curiosidade e receio. A palavra soa técnica, e a ideia de um exame com eletrodos no olho pode gerar ansiedade. Mas a experiência, em termos médicos, costuma ser bem mais tranquila do que parece.

O que o ERG registra

O eletrorretinograma mede a atividade elétrica das células da retina — em especial os fotorreceptores (cones e bastonetes) e as células bipolares e de Müller que processam esses sinais. Quando um estímulo luminoso atinge a retina, ela gera pequenos sinais elétricos; o ERG capta e registra essas respostas.

Não é um exame que "vê" estruturas (como uma tomografia faria), mas sim avalia função: como a retina está trabalhando. Por isso ele é especialmente útil em condições que afetam fotorreceptores — casos de retinose pigmentar, distrofias de cones, toxicidade retiniana por medicamentos, entre outras situações que variam muito entre pessoas. A avaliação da função das células ganglionares, quando necessária, costuma exigir variantes específicas do exame, como o ERG por padrão (PERG).

Como é feito o exame

O paciente fica sentado ou deitado em uma sala preparada. Em geral, aplica-se um colírio para dilatar a pupila antes do início — e há um período de adaptação ao escuro de cerca de 20 minutos, necessário para avaliar a função dos bastonetes. Esse tempo de espera faz parte do protocolo, não é intercorrência.

Para captar os sinais elétricos da retina, usam-se eletrodos. O tipo mais comum é o de contato corneano — uma espécie de lente fina colocada suavemente sobre a superfície do olho, após colírio anestésico. O colírio reduz bastante o incômodo; a maioria das pessoas sente apenas a presença do eletrodo, não dor. Em muitos serviços, especialmente para crianças ou pacientes que não toleram lente, usam-se eletrodos mais delicados — como o fio DTL, que fica junto à margem da pálpebra, ou eletrodos de pele. Outros eletrodos de referência ficam na testa ou perto da orelha.

Durante o teste, flashes de luz de intensidades e cores variadas são emitidos. A retina responde, os eletrodos captam os sinais, e um computador transforma isso em gráficos (ondas). Dependendo do protocolo, parte do exame acontece no escuro (ERG escotópico, que avalia bastonetes) e parte com adaptação à luz (fotópico, para cones). O tempo total varia — geralmente entre 30 e 60 minutos, dependendo do contexto individual.

Quando o ERG é pedido

Ele entra na investigação quando há suspeita de disfunção difusa da retina — ou seja, quando o problema parece afetar a retina como um todo, não apenas uma região pequena. Exemplos:

  • Distrofias hereditárias (retinose pigmentar, distrofia de cones e bastonetes)
  • Investigação de cegueira noturna ou perda de visão de campo periférico
  • Avaliação de toxicidade retiniana (alguns remédios, em uso prolongado, pedem monitoramento)
  • Casos onde o fundo de olho parece normal mas a função visual está comprometida

Cada indicação depende de sinais clínicos, história familiar, exame de fundo de olho e outros testes — é uma das conversas que cabe na consulta especializada, caso a caso.

O que costumo dizer para o paciente

"Vamos devagar: o eletrodo parece estranho, mas não machuca. A sala escura pode incomodar um pouco quem tem claustrofobia leve, mas você estará acompanhado o tempo todo. Se sentir desconforto, é só avisar."

O ERG não substitui outros exames — ele complementa a visão geral. E os resultados são sempre interpretados junto com o quadro clínico: não existe um número isolado que "fecha diagnóstico" sozinho. Duas pessoas com a mesma doença podem ter ERGs diferentes, porque o estágio da doença, o genótipo e o fenótipo individual influenciam a resposta da retina — e é justamente essa variabilidade que o acompanhamento especializado ajuda a interpretar, caso a caso.

Se o ERG foi pedido para você, leve as dúvidas para a consulta: entender o porquê do exame já diminui metade da ansiedade.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica individualizada. Cada caso varia conforme o contexto individual.

Dra. Rebeca Souza Amaral

Oftalmologia, com foco em Genética Ocular e doenças raras da retina

CRM-SP 194029 · RQE 77974

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